quarta-feira, 27 de agosto de 2025

A unção dos degenerados.

 

                                                      Image by Stefan Keller from Pixabay. 




A unção dos degenerados.




Em alguns círculos de conversação existe o questionamento a respeito dos motivos por quais o ocidente incluindo nós aqui chegamos nesse ponto de descalabro comportamental e de aceitação do inadmissível de forma passiva e resignada como se tudo isso fosse apenas destino e não uma elaborada construção social com fins de reorganizar a sociedade como é hoje em algo supostamente melhor, melhor para poucos. O objetivo hoje se contém do oposto, o que pregam e disseminam não é exatamente como o discurso determina, há um efeito ilusório uma camuflagem mimética no contexto para distribuir insanidade revestida de responsabilidade e inclusão. Essa inexatidão intrínseca que habita o labirinto distópico das certezas erradas foi criado para domínio de massas. Profissionais elaboraram essa sopa abjeta de conceitos pervertidos, usando técnicas de domínio linguístico e psicológico para criar essa realidade infame que hoje se materializa nos infernizando, nós os poucos que ainda pensam com independência. Essa geração criada nesse ambiente se sente confortável, e assim em completa realização nesse pântano de abjeções indecorosas que se revestem de virtude para afetar uma presença aceitável e até nobre para os que a ela se agregaram. A perfídia aqui não passa de um requeijão no canapé que servem nessa festa. Nessas artimanhas se vê agora um termo, mais um criado para ocultar o que realmente é, “adultização”; aqui se fala de pedofilia, sem causar constrangimentos para pedófilos, hoje algo quase considerado um problema de saúde. Porque entre as taras em processo de normalização esse comportamento infame está em muitos degenerados com poder. A engenharia das palavras é usada para controle e contenção de danos como um contingenciamento de respostas sociais não desejadas por determinado grupo. Uma delinquência sutil que favorece os mais chegados em algum tipo de comportamento rejeitado pela sociedade normal. Devemos lembrar sempre que estamos lidando com gente se é que ainda podemos chamá-los assim, sem nenhuma ética ou escrúpulo que o valha para atenuar uma tenaz indignidade proposta ao meio social. Como Thomas Sowell definiu muito bem essa turma, esse conjunto de “iluminados” das trevas, são conhecidos como os Ungidos. Esse povo debate sem argumentos com termos como: “A dicotomia do “complexo” e do “simplista”, a retórica do “tudo ou nada, generalizações inócuas, alterar para o ponto de vista presumido, declarar direitos, realizar afirmações vagas com um ar de certeza e sofisticação”. E assim temos o ungido, ou o “escolhido”, o diferenciado conforme sua jactância sem nenhum traço de modéstia, mas nós sabemos que na bazófia mora a incompetência determinante. Com reduzido conteúdo intelectual, apenas ao que lhes foi oferecido por interesse de quem os criou, não possuem abrangência e diversificação de produto intelectual para um raciocínio lógico, ou não seriam com são. Não defenderiam o que defendem e também não se comportariam e viveriam como fazem os momentos de suas rotinas. Thomas Sowell prossegue da descrição do perfil comportamental dessa gente: “Um dos chavões mais recorrentes do ungido contemporâneo é “complexo”, geralmente dito com um senso de superioridade contra aqueles que discordam – estes últimos sendo taxados de “simplistas”. Trata-se de presunção de sabedoria, debater e argumentar sem argumentos para apresentar de fato. Se sentir superior sem possuir lastro intelectual para um detalhamento da ocorrência que se mostra e se apresenta para o debate.



Bom, como o filósofo Harry Frankfurt estabelece: “De fato. A estupidez não é, ou não é apenas o contrário da inteligência. Podemos ser inteligentes e muito estúpidos: para se convencer disso, basta colocar um intelectual qualquer num cargo político, ou incentivar um especialista de alguma coisa a se expressar sobre um assunto a respeito do qual ele não tem familiaridade. O que virá a seguir em seguida se chama bullshit”. Temos aqui na verdade a falácia da pós verdade, um artifício enganador para disfarçar a conhecida mentira. Essa unção carismática que envolve o “escolhido” lhe dá o perfil exato para envolver desavisados com sua lábia e presença marcante que seu comportamento arrogante lhe proporciona. Este detalhamento se faz necessário para que identifiquemos os estúpidos, porque segundo definiu Jacques Lacan, essa gente não é ignorante, um ignorante é um jarro vazio, um estúpido é um jarro cheio de convicções e certezas, na maioria, todas erradas. Mas esse conteúdo lhe oferece presunção de capacidade intelectual e portando, define seu perfil comportamental. Estes são os ungidos que nos comandam. Essa turma que alcançou funções de liderança na sociedade atual, no setor político e jurídico e claro também no financeiro, na verdade é o que provoca essa tragédia administrativa no país. Tudo porque utopias não se agregam muito bem com a realidade, são inassimiláveis. A realidade tem a característica de vomitar sonhos e devaneios políticos, ela prefere a tradição. Anomalias, corpos estranhos que ousam invadir o corpo do que é real tendem a serem combatidos pelo sistema imunológico da realidade. O comportamento destrutivo desses “iluminados” tem detalhamento por Thomas Sowell: “Para os ungidos, as tradições provavelmente são vistas como relíquias opressoras do pretérito, pertencentes a uma era menos iluminada e não como a experiência purificada de milhões que enfrentaram vicissitudes humanas parecidas no passado. Além do mais, a aplicabilidade de experiências passadas é ainda mais diminuída na visão dos ungidos, por conta das grandes mudanças que aconteceram desde “épocas mais simples”. Então, assim essa turma não considera a tradição, o conhecimento acumulado mas apenas aquilo que a cabeça deles produz ou recolheram no iluminismo base que surgiu na Europa no século XVIII e centrado na ciência e racionalidade e que desembocou em cabeças cortadas aos milhares. Hoje podemos considerar os ungidos como os novos degenerados do momento, pois o que começou lá atrás com René Descartes terminou em banho de sangue.



Assim temos um avanço no retrocesso, como um termo popular determina. Autoridades travestidas de engenheiros sociais desejam reconstruir a sociedade e estão em pleno trabalho. Escolhidos por eles mesmos, baseados na sabedoria dos seus sentimentos revolucionários não se sentem constrangidos de erguer o mais perfeito desastre social em curso, é para um bem maior dizem eles. Enquanto isso eles se premiam, se afagam, se elogiam constantemente num intenso ritual de legitimidade do inaceitável, aquele afago no ego colossal dos que se sentem superiores ao restante e portanto, decidem quem vai viver, ou não. A arrogância peculiar conseguiu até se desgastar no exterior e com isso hoje correm perigo de ver seu modo de vida afetado, pois lá fora, eles não estão no topo da cadeia alimentar, tem algo muito maior e com enormes dentes afiados como navalhas para retalhar prepotência como se fosse osso de frango. Ao invés de assumir a posição de inferioridade, se recusam a ver o risco, e tudo indica que vão entrar numa briga que não podem vencer. E este é apenas o sintoma principal de uma doença da alma dos que sorveram poder em demasia.




Gerson Ferreira Filho.


Citações:



Os ungidos. A fantasia das políticas sociais progressistas. Thomas Sowell LVM Editora.


A psicologia da estupidez. Jean-François Marmion. Editora Avis Rara.



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sábado, 16 de agosto de 2025

Nada.

 


                                                 Image by Vilius Kukanauskas from Pixabay.





Nada.



Detalhes, soluços do tempo onde tropeçamos ocasionalmente e assim tomamos conhecimento dessa vastidão de hipóteses que apenas serão despertas caso as importunemos com o interesse. O nada nos oferece o contexto, a circunstância tímida se apresenta para assim ser a base do procedimento, e com evasivas propositais impor seu sabor no cotidiano. Entenda, a luz do esclarecimento surge das reentrâncias ocasionais ocultas dentro do não ser. Que mesmo não sendo possui textura nas margens da vontade, essa ousadia implícita sem definição específica que impele e conduz os passos para um amanhã, que supostamente pode ser ou simplesmente se ausentar da possibilidade. Porque ser plausível não condiz com a determinação, tudo está retido na linha do tempo, no script pronto e nas urgências inquestionáveis do amanhã. Você pressente a ocorrência, teoriza a tendência, elabora o trajeto, acreditando estar no rumo, mas na verdade , desejos não possuem substância e poderão ser diluídos com uma impertinente realidade. Nossa estrutura existencial possui homeostase, essa programação que nos mantém coesos, definidos e funcionais dentro do ambiente que nos cabe ocupar. Então, da sopa química que originou o ser vivo até hoje as regras prosseguem. Eu sei, a tradição lhe ensinou algo as respeito de livre arbítrio, que você escolhe como e onde seu futuro acontecerá, lamento te desapontar, este trilho mental onde o colocaram se presta apenas a um conforto mental apropriado para que seja evitado algum desequilíbrio e proporcione uma liberdade ilusória confortável. Afinal, na ilusão se encontra nosso jardim de prioridades e pressentimentos. Termos um perfil poético, dentro de um imaginário fértil onde favorecem hipóteses em abundância como as gotas de uma chuva torrencial que cai oferecendo contato com as coisas do sentir. António Damásio tem uma interpretação desse cenário: “O “eu” e o “você” são identificados como componentes mentais e corporais. Não faz diferença, contanto que a conexão entre os eventos mentais e a fisiologia geral do corpo tenha sido firmemente estabelecida. O mundo pode ir até você, diz seu empreiteiro encarregado da consciência, porque seu organismo vivo – todo o organismo, não apenas o cérebro – é um palco aberto onde uma peça sem fim é encenada em seu benefício”. Estamos conectados com uma infinidade de vida que colabora para que nos tornemos plausíveis e estáveis. E no diminuto mundo de tudo que compõe o que somos nós e nele existem regras que ordenam desordenadamente a realidade como o movimento browniano, também chamado de aleatoriedade browniana, que descreve o movimento imprevisível de partículas. Flutuações térmicas influenciam na atividade. Sugiro pesquisar a respeito, e com desempenho quântico no comportamento. Aqui o principio da incerteza de Heisenberg de aplica completamente. E este princípio determina que não podemos saber exatamente onde uma partícula está e qual sua velocidade ao mesmo tempo. Alguns detalhes relatados por outro autor Robert M. Sapolsky se refere a nossa base cerebral: “Um grupo aleatório de neurônios, estranhos perfeitos flutuando num béquer se forma espontaneamente para começara construir um cérebro”. E avança no tema: “O que essa viagem mostrou? A) De moléculas a populações de organismos, sistemas biológicos geram complexidade e otimização equiparáveis ao que cientistas da computação, matemáticos e planejadores urbanos conseguem alcançar ( e de onde roboticistas tomam explicitamente emprestadas de insetos estratégias de inteligência de exame). B) Esses sistemas adaptativos emergem de simples elementos constitutivos que têm interações locais, tudo sem autoridade centralizada, sem comparações explícitas para tomar decisões, sem plano e sem planejador”. Diante de toda essa complexidade explícita você realmente acredita que decide alguma coisa?



Não se iluda, você não está no comando, você provavelmente pelas evidências daquilo que o constitui apenas reage ao ambiente no qual foi colocado com algum propósito. Neurocientistas renomados afirmam isso. Mas sim, é uma delícia acreditar que nós estamos na liderança, que definimos o amanhã de forma inquestionável e estável. Dá um teor de estabilidade revigorante pensar que você define seu fim, que tudo está sob controle e não há risco no horizonte visível. O mundo funciona melhor, o ser humano sempre foi assim, tudo corre bem se os parâmetros são estabelecidos para controle e a maioria vive dentro dele, de civilizações antigas até hoje, a coisa flui assim. A textura da realidade também é constituída dos inexplicáveis entrelaçamentos quânticos e de toda aleatoriedade das menores partículas possíveis e estas de forma inusitada parecem ter vontade própria e oferecer tomadas de decisão diferenciadas quando são observadas ou não. Nesse mundo praticante mágico distâncias são irrelevantes, o deslocamento é instantâneo quanto a decisões e alterações. Existe um emaranhamento, um entrelaçamento o que define alterações simultâneas, mesmo que um dos elementos esteja do outro lado do universo. Verdades insuperáveis pairam perante nossa compreensão tacanha, e uma realidade acaba se apresentando, somos máquinas biológicas cheias de componentes vivos para um funcionamento coerente e viável dentro desse plano existencial que ocupamos, tudo isso deve ter um propósito, sempre tem, e o espectro do livre arbítrio é o toque que sensibiliza a máquina para que tenhamos uma vida a qual consideramos humana. O autor Sapolsky cita o filósofo Robert Bichop do Wheton College: “Ele acredita que a perspectiva consoladora que oferece é o único jeito de qualquer um de nós manter uma perspectiva saudável e afirmativa da vida e permanecer engajado nesta de maneira significativa. A vida vivida “como se” vista através das lentes coloridas do livre arbítrio”. Somos máquinas biológicas humanizadas por um detalhe fortuito que foi inserido na nossa realidade, mas o autor prossegue: “Mas “aguente firme, não existe livre arbítrio” não é nem de longe a questão. Talvez você fique um pouco desalentado ao perceber que parte do seu sucesso na vida se deve ao fato de ter um rosto atraente. Ou que sua louvável autodisciplina tem tudo a ver com a forma como seu córtex foi construído quando você era um feto. Que alguém ama você por causa, digamos, da maneira como os receptores de oxitocina desse alguém funcionam. Que você e outras máquinas não têm significado”.



Significar a vida se torna propósito de estabilidade mental numa realidade que a neurociência descobre. Na fria mesa da ciência descobrimos que somos máquinas biológicas, resta agora entender tudo isso, todo esse contexto multidisciplinar e complexo onde estamos para entender o motivo, o propósito de estarmos aqui e com qual finalidade. Por isso dei o título desse texto de nada, porque o nada está em nós, e todos nós estamos nele e nesse nada mora nossa necessidade de pertencimento ao mundo real. Recomendo a quem se interessar no tema os autores citados. Vou colocar abaixo do texto como sempre a citação dos livros. Ciência no mais alto nível para enriquecimento cultural.




Gerson Ferreira Filho.




Citações:



Sentir e saber. António Damásio. Companhia das Letras.



Determinados. Robert M. Sapolsky. Companhia da Letras.



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domingo, 10 de agosto de 2025

A expectativa como método de controle.

 

                                                       Image by Gerd Altmann from Pixabay. 




A expectativa como método de controle.




Amigos, não poderia deixar de abordar esse novo modismo, não tão novo assim de criar artifícios e alimentar esperanças sem uma base sólida de resultado futuro. Hoje tem gente se esbaldando em dinheiro graças a esse método perverso de lidar com o público-alvo e lhe tirar dinheiro com curtidas e visibilidade em redes sociais. Vivemos um festival de certezas que nunca se completam, e quando se completam já não existe ímpeto físico para aproveitar em plenitude o momento pois toda energia foi consumida em masturbação psicológica de grande intensidade. Muitos não percebem mas quando e se o alvo da expectativa se cumpre, existe uma bruma de perplexidade, quase uma ausência de vida, pois o circuito se rompeu, não haverá mais para aquele assunto um novo dia de promessas e de prognósticos. O método vicia e o público necessita do pregoeiro de porta de loja de comércio popular gritando novidades em promoção na loja de ilusões. Olhem! Vai acontecer! Mais 72 horas, ouvi dizer que será amanhã, tenho informações privilegiadas, me encontrei com uma autoridade e ela me confirmou que está próximo! E assim prossegue a aplicação e entrega de mais uma dose do entorpecente diário para um público dependente de promessas. Pensam que há escrúpulos em poupar o público desse consumo? Nada! Nenhum! Se dá dinheiro, lucro é o que interessa. Ao não produzir de fato reportagens bem elaboradas com conteúdo investigativo e de análise de contexto político, tudo vira um carnaval de promessas ainda em alguns casos bem distantes de se cumprir, se é que realmente se cumprirão, criaram até um termo específico para a ação: Tic Tac. Algo como o som de um relógio ou cronômetro avançando para um momento futuro que deveria ser breve. Eu particularmente não tenho paciência para esses truques baratos e sem criatividade que se repetem para iludir. Que fique registrado: no pior momento do país existiram os que arrumaram uma maneira de ganhar muito dinheiro com o desespero e desilusão. Afinal, nesse carnaval de suposições que funciona como distração os acordos são realizados, os arranjos que irão de alguma forma preservar os mesmos de sempre no cenário político. Não existe emprego melhor do que o de Senador ou Deputado Federal, talvez no alto escalão do judiciário, mas entrar nesse seleto grupo é muito mais difícil. Salário alto, verbas de gabinete enormes, vantagens do cargo que ocupa e por ai vai. Nessa miscelânea infame vai no bojo o povo, direcionado sempre para opção errada. O mais grave em toda essa manipulação política e midiática é a destruição do interior do psíquico das pessoas, que se sentem desnorteadas com tanta pressão por algo que necessitam mas nunca se cumpre verdadeiramente.



Os danos causados por tudo isso interferem na estrutura do corpo e da alma, Jorge Ponciano Ribeiro oferece uma explicação interessante: “Corpo e alma. Alma e corpo. Corpo-Alma. Se deixarmos que essa combinação de níveis de contato penetre o nosso ser, seremos transportados para dimensões completamente diferentes. O ser pessoa é constituído por essas dimensões, ora atuando uma, ora atuando outra. Quando olho meu corpo, não tenho a dimensão do que estou vendo. É como olhar a lua e ver apenas luminosidade e beleza ou olhar o sol e ver apenas calor. O corpo transcende tudo a que temos chamado de corporeidade. Por corporeidade, entendemos mais do que uma percepção cognitiva ou emocional do que um corpo pode ser”. Somos complexos estruturalmente um conjunto de circunstâncias que precisam de equilíbrio para que funcione bem e de forma saudável. Essa agitação provocada por oportunistas, um oba oba sem muito critério com relação ao respeito devido ao público, e enquanto isso o presidente anterior foi preso, claro domiciliar, mas ainda assim preso, retirado de circulação e protestos verdadeiros e contundentes não existem. A sociedade de forma geral não parou, não se sensibilizou a ponto de realmente parar o país. Nada de novo no cenário, onde a passividade natural do brasileiro se impõe naturalmente como sempre, segue a vida. O brasileiro possui mecanismo de proteção psicológica fantástico. Ele se aliena e vai para o bar tomar uma cervejinha gelada e que se dane todo resto. O brasileiro está ambientado na loucura, portanto, vai ser difícil uma correção de rumo político aqui. Com um ambiente desses, claro, a turma que governa exagerou, e assim estão enrolados com direitos humanos em nível internacional, descuidos de quem possui poder demais, indevido é claro. E uma constrangedora proteção oferecida a carteis criminosos por meio de legislação indulgente. Estes desvios de elite também são o resultado do desequilíbrio social proporcionado por ideologia, onde valores naturais são descartados para se obter algo supostamente mais “evoluído”. Essa evolução significa desastre social e assim estamos na mira de legislação internacional que coíbe exageros personalizados por pessoas que usurpam todo o poder estabelecido. Tudo indica que vai acabar muito mal para essa gente que acreditava ser inatingível, a coisa escalonou de forma abrangente e o país está no noticiário internacional como um regime que viola direitos humanos. Como vai acabar isso? O iluminismo da nova era parece que irá para o ralo da história. O que esse “iluminados” não percebem, não possuem conteúdo cultural para isso, é o espaço tempo onde eles também estão inseridos. O aqui e agora não é fácil como explica Jorge Ponciano: “Somos simultaneamente, espaciais e temporais; contudo, em cada um de nós, tempo e espaço funcionam ora separados ora juntos, produzindo processos e, às vezes sintomas completamente diferentes. Estar presente no tempo e no espaço ou no espaço tempo demanda encontros diferentes”. Já escutaram o aforismo: “O todo é maior que a soma das partes?”. Os detalhes que as partes possuem fazem volume e portanto como se trata de um volume, algo novo que a simples soma não consegue detectar pois está no campo da forma, a Gestalt, se trata de filosofia, metafísica e apesar dessa característica faz parte do todo.



Complicado? Porém decisivo estruturalmente e definidor daquilo que condicionamos e apelidamos como destino. Toda essa invasão mental proporcionada pelo cenário político manipulado por oportunistas e aproveitadores causam um sério distúrbio no equilíbrio individual em cada pessoa que fica exposta a toda carga e manobra da retórica definida por especialistas em ilusão e distribuição de falsas esperanças. Como cita Ángeles Martín: “Cada pessoa tem seu espaço vital dentro do qual, e dependendo do momento, pode receber ou abrir-se a determinadas pessoas; mas ninguém deve invadir este espaço. Se isso acontece, sentimo-nos ameaçados em nossa integridade e individualidade”. Ao invadir esse espaço vital com propostas e expectativas, temos um método de controle, e isso agride o indivíduo, criando resistência e ou passividade que pode mergulhar a pessoa em alienação e falta de interesse completo pelo que acontece no cenário que o cerca. De certa forma isto implica assim em desumanização coletiva partindo como princípio o contexto individual, algo como socialismo. Sim, as técnicas de domínio de massa são semelhantes, supostos conservadores também utilizam metodologia de esquerda. O método foi espelhado por ser de interesse de todos os grupos dominar o conjunto que tenham sob controle ideológico. Enfim, preserve-se e não creia em qualquer coisa, em discursos e promessas, se afaste de geradores de expectativas, viva mais leve e não se desgaste com discussões que não pertencem ao mundo real. Porque os pregoeiros do apocalipse estão na praça a séculos e a humanidade continua aqui.




Gerson Ferreira Filho.



Citações:


Vade-Mécum de Gestalt Terapia. Jorge Ponciano Ribeiro. Summus Editorial.



Manual prático de psicoterapia Gestalt. Ángeles Martín, Editora Vozes.




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domingo, 3 de agosto de 2025

Os parâmetros existenciais.

 

                                                     Image by Gerd Altmann from Pixabay.



Os parâmetros existenciais.





A dúvida, nossa eterna companheira, onde nossos argumentos colidem e se enfrentam todo dia com a realidade, com a ilusão, e com toda proposta aleatória de ajuste que se faça na textura da vida. O espaço conta, o momento a ocasião, aquilo que apenas existe no agora, pois fora dele apenas se obtém memórias e futuras suposições. A vida é o hoje, o ontem não existe mais virou registro e o amanhã mora no intangível, apenas um prognóstico. Estamos agora registrando essa conversa para que e quando tudo isso for ontem tenhamos um amanhã mais promissor. Afinal, como criaturas presas no espaço tempo assim gerenciamos os eventos, as tantas circunstâncias que ocasionalmente a nós se apresentam nesse tecido que nos sustenta na realidade que foi oferecida a todos nós. Um pouco de suplício, um tanto de prazer e há os que encontram prazer no suplício e dor no bem-querer. Somos diversos, controversos e normalmente o conflito se torna nosso combustível principal para a evolução. Alguns autores importantes abordaram esse tema e criaram até uma dialética, um método filosófico que através do confronto de ideias procura sintetizar e diluir o conflito permanente que nos acomoda nessa contradição da frugalidade que nos impuseram nessa lacuna de tempo oferecida ocasionalmente que aproveitamos sem parcimônia e sem a exata noção de quanto pode ter um fim. Vamos mergulhar em um desses métodos o de Theodor Adorno, A dialética do esclarecimento. Este texto não será fácil e será longo, com muitas citações, pois de espaço precisamos para reflexão. Afinal, meu projeto pessoal é esse apresentar novos conceitos, tornar o desconhecido, conhecido para todo aquele que não teve a oportunidade e ser apresentado a diversidade conceitual que existe. E que se faça proveito ou não, da oportunidade que ofereço. Para iniciar a conversa temos: “A infatigável autodestruição do esclarecimento força o pensamento a recusar o último vestígio de inocência em face dos costumes e das tendências do espírito da época. Se a opinião pública atingiu um estado em que o pensamento inevitavelmente se converte e mercadoria e a linguagem, em seu esclarecimento, então a tentativa de pôr a nu semelhante depravação tem de recusar lealdade às convenções linguísticas e conceituais em vigor, antes que suas consequências para a história universal frustrem completamente essa tentativa”. A infatigável busca por autodestruição filosófica da humanidade a leva para caminhos escuros e sem definição exata de contexto que se volatiliza em afirmações fora de contexto para impor vontades particulares ao conjunto social que se adapta ao discurso de ocasião. Tornando abordagens e temas proibitivos para uso público onde se deveria ter análise e contextualização de algum propósito digno de se fazer notado. Proíbe-se temas e atributos são manipulados para gerar o falso entendimento, a clausura utópica que irá dessa forma abrigar o subconsciente da população, assim e então dependente de ajuda externa para seus conflitos particulares. Dependência psicológica sem indulgência obsequiosa para obter mansidão a qualquer tipo de pauta aplicada que venha atender os anseios de uma minoria revestida de arrogância comportamental em relação aos seus semelhantes. Existem planos e projetos para construção de um futuro apenas para os “especiais” que por mérito, nem sempre e muito mais por política, alcançaram protagonismo na realidade. Sem serem explícitos aplicam uma censura social disfarçada subliminar, hoje apelidada de progressismo, para eliminar do contexto a diversidade de opinião e vontades. A cultura funciona como um massificador de opiniões onde se molda a percepção com ares de esclarecimento incutindo a vulgaridade como proposta aceitável na sociedade. Entendam progressismo como permissividade, você aceitará o inaceitável com o nome de cultura Woke apenas para se sentir incluído socialmente nessa proposta, ou será alijado da realidade.



E de permissão cultural em permissão cultural você estará acorrentado e de focinheira, adestrado para viver fora dos seus reais padrões de vida. Hoje, o cinema, a televisão e mesmo a literatura está contaminada completamente por esses valores que irão conduzir a um estilo de vida degradado e sem nenhuma ética com relação aos reais padrões de civilização. Adorno cita: “O processo ao que se submete um texto literário, se não na previsão automática se seu produtor, ao menos pelo corpo de leitores, editores, redatores e ghost-writers dentro e fora do escritório da editora, é muito mais minucioso que qualquer censura”. A coisa funciona desse jeito, ou o próprio autor se censura ou qualquer outro membro do circuito por onde a obra literária irá passar censura o conteúdo intelectual que será apresentado. Entenderam o porquê meus livros são diferentes e os produzo de forma independente? Eles reproduzem o que eu quero dizer e não uma versão pasteurizada da minha ideia, pode até parecer agressivo, mas é a realidade. Se trata hoje de uma proibição institucional de certos temas “sensíveis” a um público já adestrado e que o poder quer que continue assim. Falar a verdade causa constrangimento numa sociedade de animais castrados e controlados, se torna anátema intolerável apresentar a versão real dos fatos. O mal estar com a apresentação da realidade é indisfarçável no conjunto social atual. Theodor Adorno prossegue: “Assim como a proibição sempre abriu as portas para um produto mais tóxico ainda, assim também o cerceamento da imaginação teórica preparou o caminho para o desvario político. E mesmo quando as pessoas ainda não sucumbiram a ele, elas se veem privadas dos meios de resistência pelos mecanismos de censura, tanto os externos quanto os implantados dentro delas próprias”. Povos criados, nutridos, cevados em pura distopia progressista Woke tendem a se policiar contra possíveis violações de comportamento assim criando uma prisão mental da qual nem percebem mais com o decorrer do tempo, a infâmia passa a ser completamente normal e o ciclo de domesticação humana está completo. A esperança, neste momento já foi assassinada e descartada, o que existe apenas é uma anomalia sistêmica comportamental degradante e decadente do jeito viver. E o detalhe sórdido, imperceptível para a maioria. Voltando mais uma vez ao livro: “O que está em questão não é a cultura como valor, como pensam os críticos da civilização Huxley, Jaspers, Ortega y Gasset e outros. A questão é que o esclarecimento tem de tomar consciência de si mesmo, se os homens não devem ser completamente traídos. Não se trata de conservação do passado, mas de resgatar a esperança passada”.



Vivemos assim um hoje cheio de medos de imprudências e de preferências ditatoriais, o meu regime de força é o correto, é o ideal: também mata, também persegue, também pende mas é pela minha boa causa. E se é uma causa minha só pode ser a correta, justo! Não há controvérsia, estamos num ringue onde loucos se matam. Não há mais equilíbrio e algum parâmetro existencial civilizado, tudo é força e intimidação. Existe um evidente cheiro de colapso de civilização no ar, quando acontecerá ainda não se sabe, mas os indícios gritam na atmosfera. Precisamos de um modelo, teremos? E para finalizar as citações: “Mesmo que o formalismo da razão a impeça de proporcionar à humanidade um modelo necessário, ela tem de sobra a ideologia mentirosa a vantagem da factualidade. Os culpados, eis ai a doutrina de Nietzche, são os fracos, eles iludem com sua astúcia a lei natural. O grande perigo para os homens são os indivíduos doentios, não os maus, não os predadores. São os desgraçados, os vencidos, os destruídos de antemão – são eles, são os fracos que mais solapam a vida entre os homens, que envenenam e colocam em questão da maneira mais perigosa nosso confiança na vida e nos homens”. Bom companheiros depois dessa citação de Nietzche por Adorno nada mais precisa ser mencionado, estamos nesse agora sendo governados por fracos, incompetentes e covardes, e sendo assim nada mais resta a não ser um fio de esperança que toda essa gente cometa um erro fatal alimentado por toda ignorância e fraqueza que os cercam.



Gerson Ferreira Filho.


Citação:


Dialética do esclarecimento. Adorno e Horkheimer. Zahar Editora.


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segunda-feira, 28 de julho de 2025

Os limites cognitivos e o comportamento.

 

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Os limites cognitivos e o comportamento.




Então, hoje precisamos conversar a respeito dessa essência brasileira da acomodação e da falta de atitude com respeito ao progresso próprio e a afeição acentuada aos objetos psicológicos de prazer. A maioria que pensa já percebeu e convive com esse perfil comportamental, onde as pessoas vivem o hoje, o imediatismo, o agora, intensamente em busca das descargas de prazer proporcionadas por atividades aleatórias de entretenimento, diversão e de laser continuado. Sexo, álcool, música instigante, e ou qualquer atividade onde a realidade se perca, dissipada no contexto de estímulos em profusão e adaptações aleatórias e momentâneas de comportamento. Toda essa gente é incapaz do verdadeiro êxtase de entrar em fluxo cognitivo. A superficialidade banal garante o prazer e apenas isso basta. Tudo nesse mundo atual gira em torno da precariedade, o ensino primário, médio e superior, e com isso a capacidade de interpretar corretamente o cenário construído e dedicado à vida. E portanto, sem sofisticação intelectual a maioria vive entre limites rígidos de compreensão e sem capacidade de evolução social esperada por quem entende a necessidade de adquirir especialização continuada, a vida é um eterno aprender e somar, somar tudo para um dia, talvez alcançar a capacidade de entrar em fluxo mental para obter destaque e assim progredir na sociedade. Inacreditavelmente, boa parte dessa sociedade parece e se comporta existencialmente apenas para fazer volume, para figuração, e assim não procura o aperfeiçoamento, levando uma vida inútil e sem nenhum resultado aparente. Eu prefiro acreditar que todos nós temos um propósito definido, mesmo os mais simples possíveis. Funcionaria como a composição de um gigantesco quebra cabeças, onde toda peça é indispensável para garantir uma finalização lógica, onde a falta de qualquer peça comprometeria o resultado final. E sendo assim dentro dessa simplicidade volumétrica se deslocariam e viveriam os que seriam capazes de transformação efetiva, o mais simples sustentaria o mais complexo para em associação produtiva uma dedicada realidade fluísse de forma saudável. Como um projeto que visa a acomodação sem não conformidades e assim estaríamos literalmente em constante construção da realidade entre a agitação dos diferentes e incompatíveis. O que considero uma construção intelectual romântica do nosso cruel mundo real.



Não sou eu que aplica relevância a este ou a aquele indivíduo, é o próprio elemento que escolhe a relevância no mundo que desejará ter. Sem determinação, sem aplicação exaustiva vai ser difícil obter diferenciação social. Este comportamento estará embutido previamente no propósito que cada um possui? Bom, posso falar apenas por mim, mas sei que existem os que também pensam e agem assim. Fome de conhecimento, a princípio, ter prazer em executar tarefas de maneira certa e sem preguiça ou com determinação, se algo se apresentar difícil de aprender ou executar, tentar até assimilar o procedimento. Nasci bem pobre e não desejava passar meus dias nessa condição, portanto estudei a vida inteira e trabalhei para obter o maior nível de educação técnica que esteve ao meu alcance e possibilidade de realizar. As aptidões se somam através do tempo, e contribuem diretamente para a dimensão de raciocínio que você terá. Tenho seis cursos técnicos, de eletrônica até estabilidade em embarcações. E claro, Administração de empresas em nível superior. Estando assim apto para entrar em fluxo, segundo o Dr Daniel Goleman, pronto para a neurologia da excelência. Não pensem que foi fácil, pensei em desistir muitas vezes, mas teimosia é minha característica principal e não abandono uma questão sem a resolver e a decompor. Lembrem-se do que falei, determinação e foco hiperfoco na atividade. E assim tudo que você aprendeu vai se apresentar para ser fluxo, para ser insight, ser resposta, e lhe proporcionará um banho energético imenso de circunstâncias aleatórias que chega a causar embriaguez de sensações. E aqui apresento algumas observações a respeito desse estado do Dr Daniel Goleman: “A capacidade de entrar em fluxo é inteligência emocional no ponto mais alto; o fluxo representa, talvez, a última palavra na canalização das emoções a serviço do desemprenho e aprendizado. No fluxo, as emoções não são apenas contidas e dirigidas, mas positivas, energizadas e alinhadas com a tarefa que está sendo realizada”. E ainda tem mais um pouco de tudo isso: “Fluir é uma experiência gloriosa: o sinal característico do fluxo é uma sensação de alegria espontânea, e mesmo de êxtase. Por ser tão bom, é intrinsecamente compensador. É um estado em que as pessoas ficam absolutamente absortas no que estão fazendo, dando atenção exclusiva à tarefa, a consciência em fusão com os atos”.



Se existe algo que determina as nossas ações eu não sei, apenas sei que ao menos eu tive esse entendimento, talvez ninguém consiga mudar o rumo da vida dos outros, mas ao menos algumas vezes eu tentei, com aconselhamento, sugestões e argumentos. A acomodação da maioria parece acontecer naturalmente, dentro de uma falta de perspectiva em meio a poucas alternativas apresentadas, cabe ao indivíduo trabalhar o contexto para que novas opções surjam do emaranhado de propostas. O que faz o seu dia é você, portanto, não reclame do resultado que encontrar no fim da jornada. Um coeficiente de inteligência reduzido provoca também essa penumbra cognitiva, apenas algumas necessidades básicas e de prazer corporal possuem significância relevante nesse cenário, algo mais complexo sempre é visto como exaustivo, desestimulante, complexo demais para ser considerado, mas são justamente essas dificuldades que farão a diferença no final. Quanto mais você aumenta sua capacidade de fazer algo que poucos fazem, você aumenta seu valor de mercado se tornando um diferencial de qualidade. Neste ponto, você pode estacionar em algo mais confortável ou prosseguir se aprimorando, se diferenciando e alcançando pontos que anteriormente pareciam impossíveis. Enquanto as pessoas de forma geral estiverem amarradas nos prazeres e não no sacrifício um mundo enviesado será criado para acomodação da mediocridade. Um mundo voltado para prazeres e banalidades não progride e isso se vê claramente nos países onde o povo se engaja mais no conhecimento e no aprimoramento pessoal, claro com uma boa dose de livre mercado, pois populações mais evoluídas não gostam de controle governamental total. Coletivismo abrangente só e possível onde se pode domesticar populações. Pois nesse ambiente pobre de entendimento a estupidez se diverte e cresce a níveis impossíveis de serem controlados, tornando a realidade um inferno, onde apenas grupos reduzidos se apossam da liberdade e passam a controlar absolutamente tudo. Nossas expectativas hoje não são favoráveis, tudo indica uma etapa terrível no modo de vida da população, Espero apenas que o sofrimento estimule o fator inteligência, o suficiente para entender como chegamos na possível tragédia.



Gerson Ferreira Filho.


Citação:


Inteligência emocional. Daniel Goleman ph.D. Editora Objetiva.


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quinta-feira, 24 de julho de 2025

O encarceramento mental.

 


                                                            Image by Cathe from Pixabay.





O encarceramento mental.




E assim no meio-fio dessas esquinas oportunistas do contexto vamos abordar um tema tão antigo como atual e presente na nossa literatura para registro, embora com polaridade política invertida mas sempre relevante no contexto ao qual se aplica, o crime de pensar diferente. Nós, os presentes nessa lacuna de oportunidade exótica que talvez o destino tenha proporcionado pensamos, mas nem sempre foi possível exercer com plenitude essa qualidade, pois sempre existiu e parece que irá portanto existir um filtro controlador aplicado à força com a intenção de reprimir o individualismo e a capacidade natural de análise do mundo conforme a crença que nos fornece estrutura e exatidão para suprir nosso particular mundo de valores. Os totalitarismos, tenham lá a aparência e a embalagem que tenham não convivem muito bem com o contraditório, sempre buscam suprimir a divergência ocasional para manter a uniformidade monótona da opinião oficial, a opinião permitida. Ao regime opressor, seja lá qual for, pensar se torna um insulto se esse raciocínio não estiver alinhado com seus valores estabelecidos à força por suas particularidades excêntricas e consolidadas no alicerce que escolheram para o controle de populações e países. O clássico temor pela liberdade atormenta sempre essas almas periféricas que apenas sobrevivem na monotonia da estagnação mental onde nada muda ou se apresenta como novidade. Essa falta de complexidade queiram ou não, sempre leva ao colapso, a coisa em si, pode demorar mas em algum momento desmorona por simples incapacidade de renovação e ausência de uma sadia diversidade na textura da artificialidade que criaram. Qual exemplo que temos desse comportamento? Memorias do cárcere de Graciliano Ramos, indico a leitura para um comparativo com a atualidade. Veremos semelhanças como que está por vir, gradualmente estamos nos aproximando de situação semelhante, mas observem, os motivos são ideologicamente diferentes, o autor foi perseguido por ter afinidade com comunistas, nós seremos por não termos afinidade com comunistas, entenderam? No seu livro Memórias do cárcere ele relata em detalhes o seu sofrimento apenas por pensar diferente naquele momento histórico onde um regime que não aceitava quem abraçasse este tipo de posicionamento tivesse paz. Intelectual, bom, se os que o Graciliano admirava estivessem no poder, eles fariam exatamente o mesmo ou talvez pior com os que pensassem diferente. Então, preso sem acusação formal – interessante como regimes de força não dão nenhuma satisfação a respeito e seus atos e ações - , o governo era de Getúlio Vargas, hoje herói da esquerda. Na obra primorosa Graciliano detalha exaustivamente suas bizarras experiências com os acontecimentos, os sofrimentos sem explicação plausível e descreve os personagens bizarros de um regime assim.



Fumando como uma chaminé, descrição dele mesmo, vai expondo o interior do intestino de um regime que não se importava muito com o bem-estar de quem julgava perigoso. Não se enganem, de fato, comportamentalmente pouca coisa mudou, talvez você, se cair em desgraça não possa fumar, por risco a saúde, hoje o maligno se preocupa com sua condição de saúde, talvez para que viva mais tempo curtindo o aprisionamento. Hoje por banalidades se consegue uns quinze anos de cadeia fácil. Bom, segundo um posfácio de Wander Melo Miranda há suspeitas de adulteração no texto do Graciliano; mas ainda assim, é uma obra indispensável para navegar nesse universo de regimes opressores, tenham lá a cor ideológica que tiverem. Pode realmente ter sido adulterado, afinal, regimes de força não apreciam a verdade. Algumas coisas são muito constrangedoras para que sejam registradas para a posteridade. Em nome de um recato obsceno se suprime a verdade. Na narrativa ele, Graciliano descreve algumas situações constrangedoras, nem vou ressaltar e chamar muito a atenção, deixarei que vocês Sintam o absurdo: “O padre de Mangaratiba, numa longa visita, procurou salvar nossas almas. - Formatura geral. Era de manhã, o frio cortante nos arrepiava as cabeças peladas, estávamos no curral de arame. Organizaram-se filas, o reverendo surgiu com o tenente Bicicleta, o oficial de beiço rachado, passeou algum tempo a examinar-nos, depois de colocar-se junto à grade, risonho, esfregando as mãos, um brilho de contentamento nos olhos. Sem dúvida nos julgava animais perigosos enjaulados. Entrava na jaula, mas sentia-se defendido, livre das nossas garras, e esfregava as mãos, satisfeito. Indisfarçável aquele ar de triunfo e segurança”. Vocês acreditam que mudou alguma coisa no comportamento dos militares daquele período para hoje? Basta ver a perfídia que usaram com os manifestantes do dia oito, Não há evolução humana onde se recebe educação para virar um prego. E o padre? Estava presente, sabia do que acontecia portanto, conivente. Nesse simples fragmento o Graciliano mostra como o ser humano pode ser cruel e omisso.



Como no passado, não espere ajuda contra uma situação onde os interessados lucram e vivem muito bem dela, você será esmagado e obliterado por essa gente. Foi assim na Alemanha de1939, foi assim na Rússia de 1917, e foi assim no Brasil Varguista. Regimes de força esmagam o contraditório, a humanidade de quem discorda desaparece, e como uma coisa, podem fazer contigo o que bem entenderem. Recomendo a leitura desse livro, Memórias do cárcere, estamos no limiar de uma situação assim e seria bom que vocês compreendessem o que pode vir, não se preocupe com a lacuna de tempo dos procedimentos executados e descritos no livro, o mal é monótono e banal, ele nunca muda. Ao despedaçar adversários ele apenas sorri. E não se enganem, muitos estão associados a esse mal, vozes de conciliação virão para oferecer o comunismo ou o fascismo como algo insípido, inodoro, mas afastem-se desse discurso, o artifício para subjugar vem embalado em palavras doces, As escrituras em Apocalipse 3,15-16 dizem algo a respeito dessa gente morna, apaziguadora: “Conheço as suas obras, sei que você não é frio nem quente. Melhor seria que você fosse frio ou quente! Assim, porque você é morno, não é frio nem quente, estou a ponto de vomitá-lo da minha boca”. Então, ler faz muito bem, informa, instrui e oferece entretenimento. Viver sem conteúdo intelectual de valor o transforma em objeto de manobra, sem capacidade de avaliação da realidade. E este mundo não é nem um pouco gentil com despreparados.



Gerson Ferreira Filho.



Citações:


Memórias do cárcere, Graciliano Ramos. Editora Record.


Apocalipse, Bíblia Sagrada.


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segunda-feira, 21 de julho de 2025

O cinismo estrutural.

 

                                                            Image by Leo from Pixabay. 




O cinismo estrutural.



O cinismo que já foi doutrina filosófica na Grécia antiga que pregava o desapego e desprezo pelas comodidades, hoje representa apenas a ausência de caráter. E nesse atrevimento audaz onde espíritos insignificantes se encontram em grau de importância social existe um indisfarçável tédio com o semelhante. Essa gente que julgam tosca, desnecessária até, pois uma vez incultos servem apenas para trabalhar de forma braçal e gerar arrecadação de impostos para aquele vinho importado indispensável para acompanhar um almoço diferenciado. Sim, aqui nesse fim de mundo temos os que se julgam elite, os botocudos com grife, de posse de um simples diploma de curso superior e aprovados em concurso publico ou por escolhas políticas nadam em arrogância densa e se sentem superiores a todo esse restante da sociedade desclassificada, e claro, por isso merecem viver à custa de todos, e não com simplicidade, mas com todo esplendor que um príncipe merece. São socialistas, claro! A epitome liofilizada da estupidez, um autêntico despautério populista estruturado socialmente para abrigar seres “ungidos”, especiais, que não podem ser confundidos com o restante da sociedade, com qualquer um. Para entrar nesse mundo você precisa apenas de um diploma de graduação em Direito e contatos de oportunidade, não há necessidade de mérito real, seja apenas ou pareça leal a uma ideologia. Essa diferenciada engenharia social supostamente preserva os melhores da sociedade sob os critérios inventados por eles mesmos para garantir uma posteridade de qualidade, pois esses “direitos” criados costumam migrar de pais para filho ou filha, como queiram. No fim, vira uma dinastia de privilégios e superioridade social dentro do país, onde poucos tem acesso ao melhor da vida. Não se preocupem, não há constrangimentos nesse meio, todos são progressistas e supostamente zelam pela igualde social dos povos, são inclusivos, não discriminam, não permitem segregação entre multidões de gente comum, pois proporcionam a mesma cota de ração de sobrevivência para cada súdito que vive em seu entorno. Resta a todos nós, os participantes dessa massa de considerados desqualificados sobreviver dentro desse hospício real onde fomos enfiados a contragosto, não interessa se você é graduado em alguma coisa, você não se graduou na ciência certa, escolheu algo inferior como engenharia, medicina, Administração, tudo isto é irrelevante em comparação ao avaliador das leis. Lamento se você projeta pontes, edifícios, se realiza cirurgias complexas se organiza empresas estruturando seu fluxo de ações, você é inferior e tem de se submeter. Afinal, você escolheu errado, escolheu ser inferior. Parece piada mas não é, assim se organiza a sociedade hoje, alguém com dificuldades em cálculo simples dita todas as regras da sua vida, lamento, amigos que possuo dentro do Direito, essa é a estruturação social que criaram. Aos bons juristas eu dedico minha solidariedade, mas destruíram a carreira de vocês, os que não participam do clube da elite foram assim transformados em despachantes sofisticados do processo, se urinarem fora do vaso caem em desgraça. Assim como esse texto, eu tenho uma obra de seis livros até o momento descrevendo através do tempo a nossa particular decadência como sociedade livre. Mas as pessoas não se interessam, não compram, não leem e os nomes de destaque não divulgam como se existisse inexplicavelmente um certo ciúme intelectual pelo trabalho. Curioso e trágico. Deve ser a cota de cinismo nosso de cada dia, pois não só a mais elevada camada social possui essa característica, o que se entende é que novas forças são boicotadas dentro de um cenário já muito hostil apenas para não ser um concorrente direto no seu nicho de atuação, o brasileiro tem muito disso e nem nota. Então sou obrigado a fazer algo inusitado citar algo que escrevi e está no livro Detalhes do dia: “E sendo assim, aqui estamos nesse caldo que ousa ser literatura e que tenta ser apologético nesse texto ocasional de uma época destrambelhada e sem rumo certo”. Enquanto isso o escalonamento das arbitrariedades prossegue impávido, sem nenhum temor a movimentos externos de punição. Nossos líderes já urinaram nos quatro cantos do país e estabeleceram o perímetro de segurança, não há o que temer pois restrições tarifárias não os atinge diretamente, quem paga é o povo, e essa gente não se importa nem um pouco com isso. Prosseguindo na inusitada citação de meus textos: “Nós aqui encarangados entre absurdos, prosseguimos na boa fé de que algo mude o cenário para proporcionar um equilibrismo de fato na estrutura psicológica de um tempo que parece condenado a mergulhar no erro que se tornou sistêmico”. Esse texto, o Axioma exógeno já tem algum tempo, e nada mudou, ao contrário , se agravou e prossegue em decomposição continuada. Alguém leu? Claro que não, exceto uma reduzida minoria que me acompanha e prestigia meu trabalho. Uma turma muito qualificada que atesta a qualidade do que escrevo.



Portanto, não me preocupo com críticas, tenho um lastro positivo de opiniões de pessoas muito qualificadas e unanimidade não existe, alguém sempre vai se sentir desconfortável com o que escrevo, afinal, minhas fortes críticas ao socialismo são severas e isso machuca os doutrinados e servos do coletivismo insano. Uma doença metal dos nossos tempos. Os meus livros são revisados, editados em formato clássico ABNT onde as citações são colocadas em recuo o que facilita a leitura. Mas no Blog Entretanto coloco o texto bruto, muitas vezes carente de revisão, reconheço, e tem em áudio também no meu Telegram, onde leio e comento e assim oferecendo um teor mais intimista ao trabalho, além de tornar mais pessoal o contato com os interessados. Nesses livros estão registrados os acontecimentos exóticos do nosso cotidiano recente e oferece um bom panorama da tragédia que agora nos envolve. O escalonamento do arbítrio pode ser sentido no decorrer do tempo, nas opções erradas, nas escolhas desastrosas e no perfil submisso de nossa sociedade. O que temos hoje não foi fruto do acaso, se formou com a colaboração de despreparados e com apoio de muita venalidade política abraçada a uma estupidez sistêmica que envolve a nossa sociedade, a sociedade da vantagem acima de tudo. Agora, não se enganem não haverá recuo. Trata-se da sobrevivência de um esquema e os que pertencem a ele vão até às ultimas consequências.




Gerson Ferreira Filho.


Citação:


O axioma exógeno do livro Detalhes do dia, autor Gerson S. Filho, Editora Delicatta.


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